A pólis não é para os pobres!

               “Não é pela razão, é pelo sofrimento.” Assim o Coordenador de Políticas sobre Drogas da Secretaria de Estado da Justiça e da Defesa da Cidadania, Luiz Alberto Chaves de Oliveira, considera possível a resolução do problema que assola a Cracolândia há décadas.
               Aparentemente, os governos municipal e estadual consideram a problemática do crack como algo puramente criminal; como um bando de marginais de caráter frouxo que se rendem ao uso de entorpecentes. O problema da droga só pode ser o usuário.Baseando-se nisso, utilizam-se da opressão e da violência para afugentar os marginalizados do local.
              Ao analisar o processo de “revitalização” do centro de São Paulo não se nota qualquer preocupação ou avaliação do elemento sociológico que compõe a vida da população de rua da cidade. Mais do que isso, evidencia-se o total descaso com esses indivíduos, que, há muito tempo, foram renegados pelo maquinário elitista que domina a cena política do estado desde a década de 90, coincidentemente, o teórico início da colonização daquela área pelos usuários.
               Enquanto Benito Kassab e Adolf Alckmin se vangloriam da melhora ilusória da imagem da região central da cidade, percebe-se que o custo para isso foi a limpeza da população, via bancos anti-mendigos, cassetete, camburão, sob a alcunha de revitalização. A democracia cristã brasileira ignorou, mais uma vez, os direitos daqueles cidadãos, afinal a pólis não é para os pobres.
               Mas o que mais impressiona em tudo isso é a afonia popular e da imprensa. Talvez considerem que a cidadania não passa a noite ao relento no centro da cidade, não passa fome todo dia e não vê o crack como alternativa para abreviar a dor de sua existência. Torçamos todos, então, para que não queiram “revitalizar” nosso bairro, nossa quadra, pois pode ser que nesse momento também não tenhamos uma voz para nos defender.

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One Response to A pólis não é para os pobres!

  1. Thiago says:

    Neste momento os políticos que governam São Paulo (e alguns que não governam também) estão debruçados apenas sobre uma causa: eleições, ainda neste ano, e, claro, as de 2014.

    Aliás, faz muito tempo que aqueles que governam o Estado não se preocupam com outra coisa que não a politicagem barata, como forma de alimentar o próprio bolso (e se vislumbrar um pouco com o poder) e como trampolim para cargos federais. É uma ocupação dispendiosa, não sobra tempo para a avaliação dos elementos sociológicos das diversas classes e tipos que compõe a vida da cidade. Serra é um exemplo clássico da fauna política paulista.

    A interação social de nossa cidade é diferente e está bem longe de uma pólis grega (e, claro, esse negócio de que todos são considerados iguais hoje na cidade é pura balela), já que nem mesmo aqueles que podem deliberar e fazer alguma diferença querem tomar parte dos rumos da cidade. Preferem assistir tudo de camarote.

    ps.: recomendo que todos participem ao menos uma vez na vida de uma uma audiência pública, não para dar risadas, mas para constatarem por experiência própria como utilizam esse mecanismo supostamente democrático para propagar uma idéia mentirosa de que a população está sendo consultada. É uma frustrante experiência democrática.

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