Educação, um conceito multifacetado – Máscara da cultura

Aproveitaremos a forte onda de críticas, debates e discussões, que surgiram em nossa sociedade (seja pelos movimentos dos 99%, ocupações por todo mundo, inclusive Reitoria e Harvard, a reação da mídia e cidadãos) para propor uma leitura sobre nosso papel com a Educação e Sociedade.

Como proposto no título, a Educação é multifacetada, a possuir diversos prismas, conexos e que se relacionam completamente. Primeiramente, analisaremos-a sobre a face da cultura.

Cada sociedade possuí uma característica cultural, isto se deve ao fato delas possuírem estruturas distintas e específicas, qualquer uma é fruto de uma integração social e de experiências adquiridas através da vivência. As diferentes formas de interação dos cidadãos entre si, e da atuação destes com a matéria que os envolve, moldam as sociedades.

Nestes termos, os homens estão sempre em constante atividade, buscando uma existência e uma vivência harmônica e sustentável entre si e o meio, ou pelo menos deveríamos ter isso em consideração. Infelizmente vemos poucas pessoas com este senso.

Estas constantes ações deixam marcas nas sociedades, fixam saberes e descobrimentos, delineiam-as, a fazer com que sejam distintas e tenham suas próprias características, valores, bens e linguagem. Tais peculiaridades de interação com o mundo nada mais são do que a cultura propriamente dita. Como expõe Terezinha Rios, “Cultura é, na verdade, tudo o que resulta da interferência dos homens no mundo que os cerca e do qual fazem parte”[1]

Assim, as sociedades caminham no tempo deixando seu legado, e este é a identidade cultural de cada uma delas. Pouco a pouco elas deixam evidenciada na história a postura adotada em sua relação com o mundo em cada momento.

A nós cidadãos, atores diretos desta caminhada, resta notarmos que nossas atitudes nunca passam despercebidas, somos nós que integramos e formamos a sociedade, portanto cada pessoa ao agir, para um propósito bom ou ruim, ou, simplesmente, deixar de agir, contribuirá com a história de sua sociedade e a sua.

Portanto, devemos desenvolver a capacidade para enxergar criticamente o presente para, com sabedoria, escolhermos o rumo a seguir, modificando e construindo futuros legados. Sem deixarmos esquecer que as atitudes do presente representam uma marca que escreverá o passado e norteará o futuro.

Marilena Chauí observa tal movimento transformativo da sociedade e explicita:

Em sentido amplo, toda sociedade, por ser sociedade, é histórica: possui data própria, instituições próprias e precondições específicas, nasce, vive e perece, transforma-se internamente.[2]

Assim, são os seres humanos que criaram as datas, instituições, que vivem e fazem a história, logo somos quem formamos a cultura, e esta é dinâmica, cada sociedade possui seu modo de conviver e adequar-se, portanto cada qual possuirá sua história, mas todas devem ter em mente uma vida digna e livre para todos seus cidadão.

Podemos dizer que desde nossos primeiros dias de vida somos influenciados pela cultura de nossa sociedade e o legado deixado por quem nos sucedeu e por nós mesmos, o mestre Edgar Morin diz que, “Desde a nascença, todo indivíduo começa a receber a herança cultural, que assegura a sua formação, a sua orientação, o seu desenvolvimento de ser social”[3].

Apesar de uma sociedade não ser igual à outra, todas elas utilizam-se do método mais eficaz para comunicarem e proteger a cognição (saber) adquirida, suas instituições, seus valores, seus preceitos, suas datas, seus princípios, sua história ou em uma palavra: sua cultura, e esta prática de transmissão é a chamada educação, quem a pratica é a sociedade (vulgo eu, você, eles, nós!).

Logo, perguntamos nós: que sociedade constrói? Qual a cultura quer marcar em nossa história e deixar de legado? Vamos transformá-la novamente?

Temos por nossa Constituição Federal, que a sociedade será democrática, lastreada sobre os fundamentos da dignidade da pessoa humana e da cidadania. Felizmente e infelizmente, conheçemos poucos que agem sobre estes fundamentos, mas lutamos para que mais pessoas juntem-se a estes.

Vamos dar as mãos, não vamos nos afastar por nossas diferenças, vamos unirmos por elas também, não nos afastemos! Vamos construir, em nosso presente, uma cultura justa, digna e densa, mas que a Educação possa carregá-la e transmiti-la com facilidade para um futuro.


[1] RIOS, Terezinha de Azeredo. Ética e competência. São Paulo: Cortez, 2005, p. 32.

[2] CHAUI, Marilena. Cultura e democracia: o discurso competente e outras falas. 11ª ed., São Paulo:Cortez, 2006, p. 26.

[3] MORIN, Edgar. O paradigma perdido: a natureza humana. Tradução: Hermano Neves. 6ª ed. Portugal: Publicações Europa-America, 2000, p. 165.

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One Response to Educação, um conceito multifacetado – Máscara da cultura

  1. Thiago says:

    Uma coisa que tem me interessado muito é o atual papel da academia. Para que ela serve afinal? A Chaui tem muita coisa interessante sobre isso e os argumentos dela, desde a década de 80, nos fazem ver que cada vez mais a autonomia universitária, entendida como espaço de manifestação cultural livre e guiado por uma lógica própria, está ameaçada.

    Na verdade, tenho dúvidas que a academia faça cultura, num sentido mais estrito. Talvez essa seja uma pretensão necessária da universidade, quando apenas estimular o pensamento já seria um grande passo.

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